domingo, 23 de outubro de 2011

Pintura interna concluída

Estamos completando a terceira semana de pintura interna do Arachane.
Tivemos muita sorte com o tempo, a época para a pintura foi realmente muito bem escolhida, pois deixamos a época chuvosa do inverno passar e nestas três semanas praticamente não choveu, a umidade do ar sempre esteve muito abaixo dos 80%, temperatura média de 20 graus celsius, que são condições ideais para a pintura, melhor auxílio ainda, a mudança para o horário de verão, que faz com que os dias fiquem mais longos, e o serviço parece render mais, pois com a proximidade do solstício de verão o número de horas de sol aumenta a cada dia.

Com a vantagem que tenho, de trabalhar muito próximo do barco, isto me possibilita acompanhar todo o serviço bem de perto, este acompanhamento faz com que eu diariamente consiga avaliar se as condições climáticas (temperatura e umidade) estão dentro das condições recomendadas pelo fabricante das tintas para sua aplicação.





Consigo também, periodicamente acompanhar cada demão que está sendo aplicada, monitorando com um micrômetro, se a respectiva demão de tinta que está sendo aplicada, está atingindo a espessura do filme indicada pela WEG no nosso plano de pintura, e também fazer diariamente uma inspeção para verificar eventuais locais que ficaram descobertos de tinta.
Acreditamos que esta pintura interior seja a mais trabalhosa, e também a mais importante, devido aos inúmeros cantos, travessas, cavernas, longarinas e etc., que existem no interior do barco, e ainda a dificuldade de se realizar um serviço destes, depois do barco pronto.

Outro detalhe muito importante que precisamos levar em consideração, é de que nosso barco apesar de ser de aço galvanizado, possui três tratamentos de superfície diferentes em seu interior, o que exige que estas diferentes superfícies recebam diferentes tratamentos e diferentes atenções, mas todas tem a mesma importância.
Nas superfícies não galvanizadas, no interior do barco tais como móveis, cavernas, etc., procedemos a escovação e logo em seguida tratamos com duas demãos da tintaNº2288 que é uma tinta anti corrosiva.
Nas superfícies galvanizadas a fogo, após um lixamento leve, para promover a aderência das tintas subseqüentes aplicamos Galveg que é um promotor de aderência especial para superfícies galvanizadas.

Nas superfícies galvanizadas por asperção térmica, por ser uma superfície com bastante rugosidade para a ancoragem da tinta, aplicamos a tinta N 2288.









Após a aplicação destas diferentes tintas nestas diferentes superfícies, finalmente chegamos a uma superfície preparada para receber um tratamento homogêneo, a aplicação do Wegpoxi primer 717 em todas as superficies de aço, que é uma tinta anti corrosiva. Em todas as superfícies internas, foram aplicadas duas demãos desta tinta.




E é assim que o barco se encontra hoje, com uma cobertura homogênea dessas diferentes tintas, após diferentes tratamentos de superfície, com duas demãos do Wegpoxi primer 717 aplicada em todas as superfícies internas, ou seja, fundo, costado, teto, estruturas internas. Estão todos devidamente tratados a espera da tinta final de acabamento que será aplicada após concluídos todos os serviços de pintura externa que ocorrerão em seguida.

Próxima fase será o início da pintura externa.
Não queremos ferrugem, esperamos que por muito tempo a ferrugem não apareça .
Talvez eu esteja sendo um pouco exagerado, ou talvez minucioso demais, mas neste caso, como em muitos outros, prefiro  ficar com esta dúvida e pecar por excesso, afinal é de nosso querido Arachane que estamos falando. No estaleiro Villasboas, a Maxi já havia escutado de que eu ficava muito em cima da construção, e quanto a querer o melhor possível mas até o momento não tenho tido decepção por ter acompanhado a construção de perto, pois havaliamos passo a passo, e nada tem sido feito sem a nossa supervisão!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A pintura começou


 Semana passada o Arachane recebeu a equipe “do tinta” - sehr gut!
Ao mesmo tempo que íamos realizando os trabalhos de solda, usinagem, e tudo mais que pudesse ser feito durante os dias úmidos de inverno, estudávamos e pesquisávamos opções de material de pintura para o Arachane.






A escolha do material de pintura foi por alternativas que mais  proporcionassem melhor abrangência possível de exclusão de problemas futuros, então procuramos alternativas  quanto à tinta, a mais indicada pela eficiência, a marca, etc...Quanto a pintura, a única certeza que tínhamos, era quanto ao pintor que iria realizar este serviço tão importante. Já que havíamos agendado com o Felipe Neumann,  a mais de um ano, desde quando o Arachane passou a ser nosso e ainda estava em Pelotas/RS no estaleiro, pois conhecemos muito bem a qualidade e confiabilidade dos trabalhos de pintura desse profissional e seu serviço.
Como sempre na construção ou manutenção de um barco, tudo é especial ou na maioria das vezes inédito.
Pode-se dizer que qualquer velejador que se atreve a procurar soluções é um pioneiro, e por isto precisa ler, estudar, consultar, pesquisar muito, trocar idéias com outros navegadores a fim de, por si mesmo, encontrar as melhores soluções para as mais variadas necessidades.
No caso das tintas foram numerosos e-mails com diferentes fabricantes, fornecedores, com muitas alternativas e opções a serem levadas em consideração.








Para auxiliar na escolha das tintas chegamos a produzir corpos de prova, com retalhos das chapas do barco, sobras da sua construção, as quais receberam diferentes tintas, e as quais foram submetidas a ensaio de corrosão em câmara de névoa salina no laboratório LACOR – UFRGS.
Depois de muito pensarmos escolhemos a WEG. Levando em consideração diversos fatores: a reconhecida qualidade das tintas WEG, o pronto atendimento do serviço técnico, e para finalizar, a coerência, pois a WEG foi a única empresa fornecedora destas específicas tintas, que manteve sempre a mesma indicação do material de pintura desde a primeira vez que falamos com eles, nos demonstrando confiança, uma vez que não tinham dúvida de qual material indicar para esta pintura.
O conjunto de tintas que fazem parte de toda a pintura, foi uma escolha tão díficil quanto muitas outras que já tivemos que fazer, e sabemos que estas infinitas dificuldades, sempre presentes em qualquer velejador, principalmente no velejador de cruzeiro, se tornam um aprendizado enorme. Mas finalmente, temos a certeza de que conseguimos encontrar a melhor opção para a pintura do Arachane, afinal mais um opção foi feita.



A pintura interna começou, já são duas semanas de trabalhos e o tempo tem colaborado para as várias camadas de tinta. Na próxima semana deve ser concluída a pintura interna e em seguida daremos continuidade com a pintura do costado, convés e fundo, essa no momento, é a notícia mais esperada: a pintura.






O Arachane já tem o aroma inconfundível de pintura! De que o trabalho continua! É quase inacreditável que realmente a pintura esteja acontecendo e que podemos acompanhar de perto, essa também é uma comemoração importante para nós ver e sentir a obra em andamento!
A pintura começou!




terça-feira, 11 de outubro de 2011

Mudança de estaleiro

Após nossa chegada à Porto Alegre e o Arachane ter sido içado para fora d’água em maio/2011, uma série de trabalhos foram complementados por dois motivos: o primeiro é  que o barco só mudou de estaleiro, pois continua em construção; o segundo é porque muito trabalho antecede a pintura, e depois da pintura outras fases surgirão, temos que ter em mente que vamos conseguir vencê-las, esse é o objetivo.
E esse trabalho que antecede a pintura é o trabalho que vai desaparecer assim que a pintura interna/externa acontecer, e o interior com madeira surgir, muita solda, lixa e limpeza.
É o que se pode resumir em “muito trabalho” que ficará escondido, mas que é fundamental para a estrutura e proteção do barco!  Detalhes técnicos e minuciosos que num olhar superficial não se notam coisas bonitas ou chamativas, mas que para nós, e para o restante a ser construído, tudo neste momento é fundamental e notamos o quanto nesses meses ele mudou, e de como estamos satisfeitos com o conjunto.
Coisas “óbvias” como o detalhamento do interior tais como medidas dos futuros móveis, especificação do tamanho das divisórias para o espaço interno, local e tamanho dos tanques de água e diesel, tamanho altura e material do dog house, local de entrada e saída de água e combustível, local do guincho de âncora, base para o piloto automático já com os respectivos furos, graxeira para lubrificação do leme, e tantos outros detalhes, que nada mais são do que horas de preocupação, atenção, cálculos, medidas, muita conversa entre as decisões diárias para minimizar problemas e melhorar tanto quanto possível, e é claro sempre fica uma pontinha de dúvida se esse ou aquele são os caminhos corretos. Estamos tendo toda esta preocupaçao para minimizar ao máximo futuros serviços de usinagen, solda, furos, etc... que sempre produzem limalha de ferro, que vai parar nos mais remotos locais do barco, e que se nao for muito bem removida oxidará e causará ferrugem.


Ah e sempre tem alguns detalhes que precisam ser refeitos, pois ao longo da execução percebe-se que a solução adotada não é viável, e por isto necessitamos achar uma solução mais viável, e por isso demandam mais tempo.






Assim aproveitamos os meses de inverno para realizar todos os possíveis trabalhos de solda e usinagem que ainda faltavam para o acabamento desta fase da construção, para só então após o clima da primavera chegar, evitando os dias de alta concentração de umidade e somente com tempo seco iniciar a preparação para a pintura.

Tanque dágua, aprox 300L
Tanque de Diesel para uso diario (tagestank)

Concluímos mais uma etapa e agora o Arachane está pronto para receber a equipe do tinta...
Dog House Ganhando forma
Tanques de Diesel

sábado, 2 de julho de 2011

Barco batizado – Veleiro Arachane querendo vir logo “para casa”

Em maio, após um ano de trabalho no estaleiro e muitas idas e vindas à Pelotas, iniciamos os preparativos para a grande travessia, a primeira do Arachane!
Com o barco em Pelotas, longe dos nossos olhos, é difícil lembrarmos do que precisaríamos para navegar até Porto Alegre, ainda mais com um barco que não está pronto, então listamos e conferimos várias vezes tudo o que precisávamos para a primeira navegada ... fomos cumprindo um certo cronograma de tarefas. Definimos a data 06 de maio/2011, combinamos com o Daniel e com o Marcelo (DM Náutica), com o Gigante (Veleiro Entre Pólos), e faltava ainda combinar com a previsão do tempo.
Bem todas as combinações deram muito certo!
A tripulação formada para a faina da montagem (Daniel, Marcelo e Dieter), foram antes, quinta-feira dia 05 de maio para preparar o barco. A preparação incluía a finalização da instalação do leme, quadrante, roda de leme dos cabos do quadrante, colocar o barco na água, teste do motor com uma pequena navegada para ajustes, e instalação elétrica, luzes de navegação e do interior, bomba de porão, instalação do plotter (que o Gigante nos emprestou), bússola, etc...
Por volta das 10h da manhã de quinta-feira o Arachane foi para a água, deu tudo certo o barco ficou muito bem trimado. Nenhuma infiltração de água, e logo em seguida saímos para o primeiro teste. O barco se comportou muito bem, o conjunto motor, hélice, casco ficou muito bem dimensionado. O barco respondeu muito bem aos comandos do leme, virando em seu próprio eixo.


 Logo voltamos ao estaleiro, pois ainda restavam muitas coisas a serem feitas para deixar tudo preparado para a grande travessia no dia seguinte.
Dividimos as tarefas, o Marcelo ficou responsável pelas instalações elétricas e dos eletrônicos, o Daniel se encarregou pelas pilastras, balaustrada e pelo nosso bimini fabricado com canos de PVC e lona. Eu me encarreguei pelas compras dos materiais necessários, e pela marcenaria do interior, toda feita em compensado de obra, aqueles cor de rosa, só faltou envernizar. Trabalhávamos com muito afinco, estávamos felizes, e num clima de muita alegria, pouco a pouco, fomos deixando o Arachane em condições de navegar.
Só que mais coisas surgiram e foram adaptadas para melhorar o conforto a bordo, pois cortamos madeiras de compensado de obra para paineiros e camas, instalamos um sanitário químico, improvisamos uma cobertura com lona e canos de PVC, para nos proteger do sol, do sereno e da chuva, guarda mancebos, painel de instrumentos, após todo o dia de trabalho ainda restava fazer compras no supermercado, embarcar as bagagens e descansar. A idéia inicial era de dormirmos já no barco, mas como teríamos uma boa navegada pela frente, aproximadamente 24h, optamos por dormir numa pousada no Laranjal e acordar bem descansados no próximo dia, deixando as compras e embarque das bagagens para o dia seguinte.
Fazendo o chek-in, na pousada, a recepcionista perguntou com cara de espanto onde estávamos trabalhando, nós três estávamos muito cansados, só podia, pois a alvorada havia sido às 4h da manhã, e até aquele instante não havíamos parado ainda. Tomamos um bom banho, jantamos e fomos dormir, pois o grande dia estava chegando.
Então na sexta-feira, dia 06 de maio/2011, fomos cedo para o estaleiro, deixei o Daniel e o Marcelo no barco para aprontarem os últimos detalhes e eu fui fazer as compras de mantimentos, gelo e óleo diesel. Quando cheguei ao estaleiro com as compras, logo em seguida o Gigante e a Cleuza chegaram de carro trazendo a Maxi e mais alguns equipamentos, e ítens necessários. Descarregamos o que ainda faltava do meu carro e do carro do Gigante e fomos abrir o champagne gelado para batizar o barco, e comemorar esse momento emocionante, com direito até a cocares, que a Maxi trouxe especialmente para esta ocasião.
Éramos os legítimos Arachanes e assim foi o primeiro batismo do Arachane, num clima de festejo, misturado com ansiedade que sempre antecede uma navegada, e a satisfação de ter concluído esta importante etapa.











 
Embarcamos nos despedimos dos amigos e iniciamos a navegação pelo Arroio Pelotas e Canal São Gonçalo às 10h.
 Tivemos um ótimo dia de sol com vento Sul para nos empurrar. O barco, quando entrou no Canal da Feitoria, já nos mostrou o seu jeito de navegar, num balanço firme, levantando a popa e correndo na onda. Tivemos uma previsão favorável “mar mexido”, mas o Arachane maravilhoso, nos enchendo de orgulho mostrando que quando estiver pronto vai ser muito bom.
Foi assim muito felizes, descontraídos na companhia do Daniel e do Marcelo que fizemos essa navegada de 23 horas até Porto Alegre.











Ao fundo primeira bóia sinalizando a entrada na Lagoa dos Patos, que com sua cor esverdeada e espuma branca, fazia parecer que estávamos navegando no mar.

Tivemos ótimo conforto, dormimos muito bem sempre com dois tripulantes no cokpit e dois descansando. Não temos piloto automático, o motor ainda não está isolado pela caixa acústica, mas nem isso foi problema, pois levamos protetores auriculares e o conforto a bordo ajudou a ter descanso. Foi a vez que atravessamos a Lagoa dos Patos em menos tempo até hoje, foi muito rápido! O barco navegava a 6, 7 nós e nas surfadas chegava a 8 nós. O Arachane quer ir denovo.

 












Café da manhã entrando no Guaíba ao amanhecer frio do outono!


 
Surpreendemos os amigos que nos esperavam, e chegamos antes do horário previsto. O Gigante pretendia nos recepcionar com o Entre Pólos, mas acompanhando pelo Spot, viu que não ia dar tempo. Acabou nos esperando no clube e nos fotografou. Minutos depois o Lidson, que também estava nos acompanhando pelo Spot, ligou falando que a gente chegou cedo e que era para nós esperar, que não era para irmos embora pra casa pois estavam organizando uma surpresa!
 Logo depois o João Marcelo e a Juliana chegaram pra conhecer o barco. Assim ganhamos um churrasco de boas vindas na chegada e reencontramos amigos que há tempos não víamos, foi tudo muito bacana!

Recebemos muitas visitas neste dia, todos queriam conhecer o já famoso Arachane! Não estávamos mais acostumados com tantas visitas e explicar várias vezes a mesma coisa, foi assim que nos lembramos que quando o Garoa chegou no clube também todos queriam ver o barco bem de perto. E hoje ainda nos divertimos nos lembrando das sugestões mais variadas e hilárias que recebemos, afinal cada um tem seu ponto de vista. O Garoa era um barco bem especial ainda mais que quando ele foi escolhido por nós precisava de muito carinho e muitas coisas a serem feitas para ficar pronto para navegar.

No mesmo dia, após o churrasco, reunimos alguns amigos, e saímos para um passeio com o barco.

Navegamos 23h, e após o churrasco a navegada de comemoração ao pôr do sol em homenagem ao Arachane

Amigos na navegada de comemoração, na foto Patrícia, Everton e Maximilia

No final de semana seguinte, o barco foi retirado d’água para evitar impregnação do casco com sujeiras, pois nosso casco está totalmente sem pintura, apenas galvanizado e esta sujeira poderá dificultar a aderência da tinta, quando for a hora de pintar. Por isto retiramos o barco d'água e lavamos todo ele com um lava jato com água quente.

Afinal de contas o barco ainda não está pronto, simplesmente mudamos de estaleiro.

Agora as obras serão executadas por diferentes profissionais e aqui em Porto Alegre, sob a nossa supervisão e administração, o que agilizará muito todo o processo construtivo do barco. No momento foram finalizados alguns serviços de solda e usinagem internamente, pelo Bugrão no Iate Clube Guaíba, também já foi instalada a gaiúta principal do barco e agora vamos aguardar uma boa previsão de tempo seco para iniciar a pintura interna. Não há pressa nesta construção, há cuidado para que cada ítem seja feito da melhor forma e como desejamos. O que nos deixa contente é que a obra está andando! A cada semana observamos a evolução, nossa planilha de ítens finalizados nos mostra isso.
Com o barco perto de nós podemos a qualquer momento verificar a viabilidade ou não de uma idéia, antes nós tínhamos a idéia e tínhamos que esperar até a próxima visita ao estaleiro para verificar a possibilidade de execução. A construção de um barco assim é totalmente personalizada. Todos os ítens, absolutamente todos estão sendo estudados, planejados, executados e supervisionados por nós, mas sempre contando com o apoio de diversos profissionais capacitados e experientes.